PARATY EM CORES

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O crochê criativo e contemporâneo de Monica Ferreira

Na exposição “Paraty em Cores”, que estreia em 22 de julho, na Casa da Cultura, a artesã e arte educadora apresenta painéis temáticos e um cardume de peixes, em tramas surpreendentes

Paraty está em cada ponto do crochê de Monica Ferreira. As casas, igrejas, palmeiras e barcos da paisagem desfilam em peças de cores quentes. Seu crochê criativo e contemporâneo vai dos caminhos de mesa a labirintos que só ela sabe desvendar e tecer em tramas únicas.

Autodidata, a artesã e arte educadora paulistana se encantou pelas agulhas e linhas ainda menina, aos 8 anos, ao ver o anúncio de um curso. Nas aulas, era a única criança entre as senhorinhas, num tempo em que o crochê se limitava a enfeites para móveis e barrados de pano de prato. Aprendeu “ponto alto e ponto baixo”. Arriscou confeccionar um pulôver de lã. Começou a inventar moda. “Nunca gostei de copiar as revistas, sempre criei”, diz ela. Perfeccionista, é capaz de varar a noite montando e desmanchando uma peça, até achar que ficou boa e bonita o suficiente.

Em Paraty, onde escolheu viver, há 15 anos, Monica trabalhou em lojas e ateliês, desenvolvendo e customizando peças que misturam crochê, bordado, patchwork, entre outras técnicas. Sua bicicleta customizada com flores de crochê conta um pouco dessa história, pelas ruas da cidade. Como professora do Centro de Capacitação Colibri, Monica integrou o núcleo de produção de peças em crochê e transmitiu suas técnicas de customização. Em parceria com o tecelão e designer mineiro Renato Imbroisi, em 2014, desenvolveu as primeiras paisagens em grandes painéis. 

Na exposição “Paraty em Cores”, promovida pela Associação Paraty Cultural, a partir de  22 de julho, na Casa da Cultura, Monica apresenta painéis temáticos e um cardume de peixes abstratos. “É uma exposição que simboliza crescimento. A cada novo desafio, tenho a chance de me aperfeiçoar”, diz ela.

Entre os painéis, há um calendário ilustrado das festas de Paraty, outro de barcos espelhados no mar, e as quilombolas dançando o jongo, com saias floridas. Há ainda um peixe-elétrico, tecido sobre base de arame, que virou luminária. Tudo em cores puras, sem linhas mescladas ou barbantes crus. Sua marca, acredita ela, são as cores fortes. “A cor moderniza o crochê”, diz a artesã. O azul-turquesa do mar, o vermelho dos hibiscos, o verde-bandeira das bananeiras, o amarelo-ouro do sol, dão o tom, recriando a cidade histórica em cenários multicoloridos e surpreendentes.